Certos casos
Tipos indefinidos
Incertos
Almejam aleatório
Imprecisos
Vagos oscilantes
Enxergam fingimentos
concisos.



Senhor
olha a idéia que se esvai
como é rica a pobreza pretensiosa
a história de hoje é efêmera.

Vassalo
abra a cabeça
e deixe o gênio
de lado.

Burguês
admira a labuta dos vassalos
com selos do nobre
finja que o ar te preenche e deixa-te ser.

Raso

Costuma-se ser assim
sempre se espera algo de volta, na mesma moeda, no mesmo grado
costuma-se ser errado
fazer algo sem objetivos, ou com objetivos ralos
e ao não ter de volta, perde-se a troca
interrompe-se um fluxo


abre-se uma lacuna


costuma-se não pensar
ao jogar conversa fora
semear uma breve discórdia, mesmo que dentro de nossa mente

costuma-se julgar imaturo
não assumir o que tem
questionar o que seria
jogar ao vento palavras que colidem com o que se planeja

é de se entristecer
quando não se quer, mas vê
segredos tolos
que te levam ao porquê.

Tempo Verbal

Ela não bateria à porta
Se esta mente repousasse tranquila
Fingiria como ela finge
Abstrairia a maturidade
Jogaria minhas dúvidas no ombro amigo
Colheria-as de volta por um fim
Acharia que a amizade é algo eterno
Diferenciaria-a de um que se diz amor
Afastaria os olhos do coração simbólico
Jogaria as dúvidas fora
Pararia com este pretérito
Para que o futuro esteja são.

Leve

A efemeridade


s e p erde


no tempo em se que se escreve


sobre ela




por que tornar o tempo


ainda mais






efêmero




e raso?





com maturidade finge-se ser menos





com clareza tende-se a ser mais










com incertezas finca-se



O PESO,










efêmero.

Nós?


não está no papel
no anel
no bordel
no chão
no teto
no deus
ou na merda de um coração (brusco, como a vida se apresenta).
a negação e a afirmação
a sinceridade está em si, calma
e farta de nós.

depois de tudo,
ainda dúvida?

31042009 - Buñuel



Um corte

pedaço
sussurro irreal
artista e exceção
ser
sã consciência
se renova em ilusão.

Lapso.

Na estranha ausência que mal apelidam

Crava-se um tempo.

Esquecer,


e tanto tarda...

e
começamos a nos lembrar.




Problema


Quando o desenho foge, me abraça o texto.
Quando o texto vem, me perco em regras, concordâncias e aquelas malditas rimas.
Eis minha vontade constante e paciente.
Quando o texto vêm me consolar após o abraço,
desmaio em abstrações visuais.

Linhas e Formas


e Ele rebate o olhar. diz o que quer e questiona o que sou.
No tempo que eu era e ainda não havia de ser.
Se lembras do tempo que achou que esquecera?
E pergunta também como pude pensar aquilo antes de ter sido feito.
Algumas coisas não se imagina.
As que se imagina, simplesmente hão de ser.
Queira ou não.

Mundo de muitos.



Uma nova postagem. E um começo que se escreve com letras. Poderia ser com números. Zeros e uns. Dois e setes, no plural. Temos um começo e uma sequência.
A probabilidade de escolhermos o que se sucede é nula e total. Não são crenças, talvez atitudes.
Crenças ou atitudes, o julgamento existe e a cumplicidade consigo mesmo é o que cria a fé.
O mundo é vasto dentro ou fora de seu umbigo. A consciência acaba sendo coletiva.
As maiores maravilhas podem estar dentro da cabeça de um ser só.
As maiores maravilhas devem ser construídas e admiradas por muitos.

Ele vinha calado e contido. Ela, certeira e ingênua.
Sensibilidade. Razão.

Imagens sonoras.


O que toca dentro daqueles fones. É algo mais importante que seu próprio nome, pois torna-o ouvinte e o faz prestar atenção. O que seria, não se sabe?
O que passa no mundo que se coloca a sua frente? Se dependesse da trilha sonora, seria algo mais pacífico, porém com seus momentos de desordem e euforia. Por que não?

Se cada batida ditasse um passo que é dado por um ser andante qualquer. Um grave, um agudo. Um baixo, uma voz. Uma melodia, uma poesia.

E a poesia se disfarça entre os sons e imagens.

Balão de ar


Brincando com um balão de ar

imagino se o mundo tivesse este peso

teríamos mais leveza

para saber lidar com o peso das coisas

mas o peso que pesa mesmo

não é o das imagens construídas

e sim o das visualizações sentidas.

Difícil é ser leve

para sustentar o peso do que sentimos.

Calado



Só voltarei quando encontrar o que me perdeu

Estarei de volta quando der-me o que é meu

Olharei nos olhos quando enxergar quem sou eu

Abrirei o sorriso quando acabar o tempo

Que permite esta tensão desnecessária

E atitudes ordinárias

Tão dignas de uma pessoa qualquer

Manterei meu zelo enquanto dele frutificar paz

Incondicional é manter-me vivo

Manter a calma e razão é condição

Viver as sensações é luxo

Equilíbrio é difícil sozinho.

Reverse Revolver



Blue hipocrits make me happy when the sky is grey
the twin scars and these gemini thoughts twirls my mind in shadows and haze
come on closer, we are not close enough
instead of we, it should be it
too many paths opened without signs
and people are scared to follow
they all prefer to hide
even when words are nonsense
even when thoughts are blank
to loose control is to get the grip
of this fast and impersonal living
you all want to speak
you all want to be listened
you all forget to live
if you don´t get ready for the echoes of your own heads
and the hammer of your own actions
yellow shadows make me dance
whenever the sky is black
these are all impossibilities
of one, once, smashed opened head.

King Jealousy


When I am King you will be first against the wall
It is no revenge life just goes on and things turn around
The glass is shattered and walls come down
When I am King you will be mine inside
shutted door
Lights should not hit you until my tears drown you
The eyes filled with dreams will start to roll down
When I am King this world will collide
Vanity and greed shall leave you in despair
Whatever was pointed in no reason
no point has been left
Kiss my hand and bend your knees
Drop your head and open your ears
Life is miserable
Until you begged me
To what for?
To remember your good deeds
And to forget what brought me here
Now I am the King and one more wish is granted
Just as the other ones
Do not envy the heights you do not reach
Stay on your knees and dry all this misery
your head will be out in no time
Just hail to my crown
and you may have my shallow sympathy
The King was murdered by your filthy jealousy.

A arte de engolir sapos

seres humanos são fascinantes. muito mais interessantes que anfíbios e moléculas. estes seres, humanos, engolem de tudo. absorvem o que há de pior e quem sabe, com sabedoria, hão de absorver o melhor. o melhor para seus egos inflados e peçonhentos nem sempre é o melhor para outros. assim sustentam a leveza e peso de seu ser, indvidualizando com maestria tudo que lhes é dado e o nada que singelamente poderia ser retribuído. influenciáveis somos todos nós. quem escreve, quem pinta, quem borda, quem não faz absolutamente nada, todos se deixam levar pelos momentos em que desejam encontrar similaridades emocionais que tentam vir à tona como verdades absolutas.
como não conseguem ver que é tudo mentira quando o único beneficiado é seu próprio umbigo?
omissão e desculpas são escudos de fracos e carentes, mentiras são as armas de egoístas e covardes. por que ofender? é tão mais fácil assumir nosso livre arbítrio e imperfeição. jogue a culpa em Deus, mas nunca em sua liberdade de escolha, todos conhecem a hora do erro e sabem daquele milésimo de segundo que antecede a escolha do caminho a ser tomado.
falar dos inocentes ou culpados... conhecer e lidar com erros e pecados. as relações humanas são dignas de maiores cuidados. até onde toleramos a invasão de espaço, displicências, distância e lapsos, não sabemos até quando resolvemos testar o que sabemos, somos e queremos. lidar com o que não corresponde é um exercício trabalhoso, desgastante e sem evidentes resultados. isso é arte. preencher lacunas e faltas.
a arte de engolir sapos.




omissão

s. f.,
acto ou efeito de omitir;
aquilo que se omitiu;
preterição;
falta;
lacuna.

03092007- Mera

Uma simples coincidência
Pensar nos problemas que alargam sombras e te encolhem
Ao mesmo tempo em que a rotação parece se dar mais rápido
E as noites deixam a sensação de se ter menos tempo

A simultaneidade de dois acontecimentos
Sejam bons, sejam não tão bons assim
É um cruzamento de linhas psicológicas que acaba por afetar as mentes mais tempestuosas
Um dia de sol encharcado por chuva nos dá uma bela aquarela de cores

A justaposição de fatos
Que a princípio não se complementam
Nunca serão mentiras, nunca serão verossímeis
Não hão de ser absolutos em termos gramaticais

E a identificação de duas ou mais coisas
Pode ser belo ou bizarro de acordo com os olhos que exaltam a verdade
Cabendo a cada impulso e lembranças o parecer final
A definir coincidências

Chegando aos acasos
Das tormentas a bonanças
É sábio lembrar
Do cultivo das boas lembranças
A trazer vontades que trazem as venturas


coincidência

s. f.,
simultaneidade de dois
acontecimentos;
concordância;
justaposição;
identificação de duas ou
mais coisas;
acaso.

04072007- Café e Cigarros


Continuado estes sonhos tolos
estas brincadeiras tolas
estes gestos sinceros e inócuos e efêmeros
é uma ducha de água fria
é um dito popular
é o duelo entre a razão e o sentir

vou caminhar enquanto isso
vou abstrair o tempo e a noção de nada
dar uma volta e observar o movimento dos outros
as palavras perdidas e o brilho de uma noite a sòs

irei até algum canto
perder algo que ainda não achei
encontrar algo que não procuro
sonhar ainda, tolamente
a fim de justificar esta tola vida
dentro de tantas expectativas
e tantas coisas que podem acontecer

imaginarei até onde consigo controlar
pois não quero controlar nada nem ninguém
a não ser eu mesmo
exemplos, temos 8 bilhões
vida só tenho uma
e sou um desses bilhares
que busca sua caçapa

curtirei um momento free, onde a imagem que passo aos outros
passa a idéia do cigarro
e a marca que deixarei será cool
mesmo que não fume
vou caminhar enquanto isso
ao lado de Johnnie Walker
que continua andando
rotulando mais que um pedaço de vidro
patrocinando minhas caminhadas

vou caminhar enquanto isso vou abstrair o tempo e a noção de nada
dar uma volta e observar o movimento dos outros
as palavras perdidas e o brilho de uma noite a sòs

terminado estes sonhos tolos
que de tão tolos são sinceros
como estas brincadeiras e gestos
a construir este jeito de ser
que busca outro jeito de ser
ao lado de quem não tem medo de ser
seja efêmero e tolo o viver.


marca:
do Germ. marka, sinal, fronteira
s. f.,
acto ou efeito de marcar;
sinal figurativo ou emblemático que, aplicado a um produto, ou ao seu invólucro, o distingue de outros idênticos ou semelhantes;
cunho;
distintivo;
traço pertinente que distingue entidades semiológicas que pertencem à mesma categoria, através da sua presença ou ausência;
carimbo; firma;
categoria;
grandeza;
nódoa produzida por contusão;
ferrete;
nota, sinal para lembrar alguma coisa;
limite;
fronteira;
tento de jogo;
letra ou letras;
emblema ou sinal feito em roupa;
botão para ceroulas;
botão que se vai forrar de fazenda;
craveira, bitola;
qualidade;
índole;
categoria;
cada uma das evoluções de certas danças;
antiga moeda portuguesa em ouro ou prata;
unidade monetária da Finlândia.

29052007 - Infantis



Estes anjos acordaram serelepes e parecem ter perdido o sono no meio desta ânsia em ver este lado tão iluminado da felicidade.
Eles dançam, cantam, sorriem em tons agudos e infantis. Contemplam um ao outro e completam a perfeição com seus conjuntos de peças egocêntricas e distintas que acabam por se encaixar.
Não se cansam de mirabolar, estes anjos juvenis, os encontros do acaso nas formas mais sutis. A deleitarem-se do gozo mais sincero em cada primeiro beijo, a cada novo dia; E melancólico estes anjos ficam, taciturnos, a cada despedida, como a mais bela sonata em infindável sinfonia.
Dancem queridos anjos! Torna-nos eternos admiradores desta graça que vem de suas delícias e leva-nos a este belo mundo em que vivem a cada momento em que estamos a amar...
sonata;

do It. sonata
s. f.,
peça musical para instrumentos, em que as partes divergem em carácter e
andamento.

de
sono
s. f.,
soneca.

29052007 - Bom dia



Maio já está no final e mais um ano celebro a sutileza do passar efêmero das estações
Os céus tornam-se roseados pelo belo pôr do sol nestes amenos fim de tarde
E o tempo parece mais lento nestas manhãs de outono quando o conforto do calor da amada abençoa o sono
E a primeira vista de um dia agradável e sereno que se mostra no tom rosicler de um sorriso sincero.
Assim é este mês de Maio,
assim é cada novo dia ao teu lado.


rosicler;

do Fr. rose clair, cor-de-rosa claro
adj. 2 gén.,
que tem a cor da rosa e
da açucena;
s. m.,
cor afogueada dos crepúsculos;
espécie de diadema
formado de pingentes;
colar de pérolas;
mina de prata vermelha.

29052007 - Vazio



Como somos tolos. Com tanto pela frente, preocupamo-nos com o que ficará para trás. O romantismo dos sonetos se mostra pela inconstância dos movimentos, frustra a razão e declama emoção. Que se saiba desta vida que somos música. Que é composta a bela sinfonia da existência. Através dos espaços que preenchem o vazio, através dos ventos que movem os moinhos. Coisa tola é essa vida e esse amor exasperado que não respondem, só fazem e fazem, sem deixar-nos ao menos se aproximar das questões mais simples dos nossos porquês. A graça é sentir então, fluindo com a razão rendida, sorrindo sem uma ingênuidade contida. Deixar-nos falar sobre o que bem entendemos dentro do nada que sabemos. Que essa vida e esse amor não se mostre de forma rendida então, rendida já está a razão. Como somos tolos em dividir tantas palavras que nunca conseguem exprimir estas coisas que sentimos. É tão mais fácil deixar-se ser e crer no que não temos certeza...
Simples:
do Lat. simplice
adj. 2 gén. e 2 núm.,
sem composição;
sem mistura, singelo, puro;
que não é complicado;
fácil de compreender;
claro;
que não é duplo ou múltiplo;
só;
único;
sem ornatos;
desataviado;
evidente;
vulgar;
boçal;
sem malícia;
ingénuo;
que vive sem luxo;

21052007 - Intervalo


Em um espaço curto de tempo, vejo meu utópico mundo , que não é utópico, tampouco é mundo. Só não convém a todo mundo e como indivíduo sou em um pequeno espaço deste mundo que mal se preenche com tão poucas pessoas.
Neste momento fujo desta malandragem de triste boa-vida em que finge-se ser feliz com o próprio egoísmo e cinismo. Fujo, quero sair correndo, mas aprendo aos poucos que a pior parte da pressa é a espera, e sem ela não se chega a lugar algum.
Escondo-me destas falsas imagens, destes falsos profetas, pessoas-problemas que reclamam do pouco que fazem diante de tudo o que tem.
Escondo-me, fujo, vejo e busco este mundo onde o frio predomina e o calor companheiro é um presente. Onde meu sorriso e esforço sejam espontâneos e assim contente com esta vida de sonho que almejo.

cinismo: s. m.
do Lat. cinismu < Gr.kynismós
escola filosófica dos cínicos; qualidade de cínico;
falta de vergonha;
descaramento; impudência.



17052007 - Janelas

vizinhos vizinhos vizinhos vizinhos vizinhos
Sou um punhado disso, um punhado daquilo. já disseram isso, não minto. eu sou o que os outros falam, resmungam e elogiam. sou aquele filho, aquele moleque, aquele amigo. sou um grosso estúpido, um insensível, um mal agradecido, não finjo. e sou aquele garoto incrível, organizado, responsável, sincero e bonito. sou indeciso, criança, mau-humorado, complexo, indireto, frio e tímido. verdadeiro, orgulhoso, sorridente e conciso. no meio de tantos adjetivos, me omito. escrevo tudo isso, pra não ser nada disso...



punhado: s.m.

de punho
s. m.,
porção que se pode conter na mão fechada;
mancheia;
pequeno número, pequena porção de alguma coisa.

30042007 - O Palco

Baila Bailarina
Em todo este palco que se apresenta
Com tão belo cenário que rege a utopia
Preencha-nos com furor e delírio
A fitar estes teus movimentos felinos
Arremate o romantismo de nossa razão
Que foge e retorna de encontro à emoção

Tua graciosidade é música
Que descobre todos nossos receios de forma lúdica.


29042007 - Nós

O universo conspira lá fora
Enquanto transforma por dentro

Fazer o bem,
manter a calma,
exercícios diários.
Amar alguém,
entender e aceitar.

O universo conspira aqui dentro
Enquanto transforma lá fora.

Querer e aprender,
viver simplesmente.
Não seria tão fácil,
guiado tão somente por esta diversa realidade.
- Humildade, -disse o sábio- é a verdade.
Que se prende dentro de nós,
assim cria tantos nós.

O universo conspira lá fora
Enquanto transforma por dentro.



28032007 - Conclusões Incipientes II

Quem...

se preocupa demais, é claro ora bolas, vive ocupado antes do tempo. e quem se ocupa demais, tende a se preocupar mais ainda com o tempo que não tem. mas quem nao faz nada, também se preocupa com o tempo que passa, pois não fazer nada cria a ilusão de que nada pode ser feito, defeitos do tempo. e assim vai... quem muito quer, nada tem, e quem nada quer, também, nada tem. então queira muito ou pouco, não importa, apenas queira de verdade. isso é difícil pacas! mais difícil que isso é assumir não saber o que quer. quanta vergonha isso traz... quanta falta de clareza, quanta falta de objetividade meu filho. ai ai ai. entao, vamos comparar. tem gente que disse sempre saber o que queria, mas nao o fez porque nao devia. e outros dizem que nunca souberam, mas mesmo assim fizeram o que sabiam que nao queriam. e aqueles que disseram tambem sempre saber, mas depois de tanto tempo descobriram o real querer, e agora vêem que não há prazo para aprender. -(odeio comparações)- mas assim segue. felizes os que sabem o que querem, e mais feliz ainda os que não desistem. passar por cima das necessidades, fazer, fazer, fazer para acontecer. vamos fazer. vamos aprender. vamos entao agradecer o que temos. diminuir as reclamações, pois quem muito reclama, muito problema tem. nao é facil de fato, assim como escrever. mas treinar a mente é possivel, acalmá-la é nosso cuidado, utilizá-la é fundamental. queremos usar a mente para fazer algo que desperte novas mentes. queremos aprender a querer. queremos descobrir sempre. parece que queremos muito, mesmo sem querer nada, mas é assim mesmo. a vida e seus paradoxos sempre acabam por se encontrar. queremos nos encontrar, nos perder e nos encontrar novamente. uma orgia mental é isso tudo junto.
quem nao sabe o que quer pode estar bem longe da verdade, mas ao reconhecer o desconhecimento, o caminho pode ser bem mais curto que o da presunção. depende da vontade em querer encontrar.
vocês estão tranqüilos? é só não pensar muito.


24032007 - Comfortavelmente Entorpecido

Fotos - Google Images
Olá...

que mundo é este? armas na cabeça, tiros a esmo, bombas, polícia, ladrões, racismo... que mundo é este? seria mesmo tão utópico imaginar um ser humano consciente de seus atos? a ignorância é cultivada por ignorantes, manutenção do poder de poucos responsáveis por muitos. mandem matar, joguem uma bomba por lá, execute-os no meio da rua, infelizes terão de morrer; o dinheiro é mais um motivo para justificar a anti-evolução do homem. potências que separam o mundo, imediatismo e ambição, numa velocidade incrível sem razão. que pressa para morrer... que mundo é este? muitos se despedem com fome ainda, muitos terão que sumir por pura adrenalina. os aviões jogam covas na terra, os navios mancham o mar de vermelho, os carros tornam tudo cinza. os soldados não mais respondem, somente obedecem, não pensam, não se rebelam. concordam com tudo, tirar vidas por uma pátria que não respeita a própria vida ainda. que mundo é este? mundo entorpecido pelas substâncias tóxicas que vêm de tantas palavras mentirosas. antes fosse somente as drogas. falem mal do próximo, inventem mais mentiras, continuem seus acordos em prol de uma riqueza tão rasa. machuquem uns aos outros, gerem a discórdia, arrumem motivos para odiar, explodam a multidão. a calma e compaixão são para fracos, a agressividade é necessária. que mundo é este? por favor alguém, tem alguém aí? respondam então líderes do mundo! respondam! que mundo é este que têm em mente? que mundo é este em que fazemos parte vivos ou mortos? que mundo é este?
agrida, agrida o ambiente, agrida o ser, agrida a si mesmo. o mal da mentira corrói quem a cria.
céus azuis, com tons laranja, rosa e amarelo, percebe-se até um pouco de verde e lilás. quando amas, pensas em paz. quando ajudas, teu sorriso multiplica no rosto do próximo. quando entendes a calma, teu olhar sereno emite a luz da alma. não queremos todos o mesmo mundo?

que mundo é este?

21032007 - Pintura


Jura amor, que todo esse amor nunca será em vão

Jura amor, que o futuro é algo do passado

Jura amor, que este tempo agora já é história

Jura amor, que a razão é apenas tela em branco

Jura amor, que o sentimento é aquarela

Jura amor, que tudo escrito um dia será esquecido

Jura amor, que o que queremos é o que teremos

Jura amor, que nada falta quando ainda sonhamos

Só me jure amor, que toda jura é uma mentira.

Depois me jure amor, que nosso tempo já é vida.


06032007 - Conclusões incipientes

Magritte - La Reproduction Interdite

Diferentes coisas...

que as pessoas falam, ou acham. Ouvimos falar tantas coisas que não acreditamos e sempre tentam nos convencer de suas próprias verdades. Cada um com a sua verdade, cada um com sua experiência e lição. Falamos muito e pensamos coisas que não nos revelam nada e trazem incômodo, impondo uma cortina de ébano sobre nossos olhos por um momento que só nós permitimos. Por que parar de olhar a frente? Hoje pensamos pouco sobre a calma que necessitamos para se tentar fazer mais sobre uma pressa que só nos atrasa. Meditar é simplesmente o ato de tentar parar a mente que se perde em um universo inteiro que se move a nossa frente, logo, se não paramos, para quê a pressa? Não há atalhos, mas sim um caminho a se seguir. Siga, confiante e sereno.

Não sei como, mas a vida sempre nos mostra o porquê das coisas.

Dizem que os bons partem mais cedo. Realmente eles nos fazem muito mais falta, com aquele gosto de que sempre poderia ter sido mais tarde...
Cada um no seu tempo.

02032007 - Solidão


"...resignado mundo, no compasso da desilusão..."

02032007 - Ou fato

Ou mentira...

o cheiro das ruas em que passo
lembram certos momentos
com certas pessoas, ou erradas
em um tempo que não posso julgar
Já o cheiro das pessoas me faz imaginar
seus jeitos de ser e estar
que também lembram outras pessoas
e quiçá, outros momentos
mas certos aromas despertam os sentidos
que despertam a razão
também despertam a emoção
que trazem nostalgia ou melancolia
estes sentidos que trazem a vida
lembram o quanto ainda há para sentir
em cada pessoa, em cada esquina.
se é mentira, ou fato, a verdade é:

nem tudo tem cheiro.

20022007 - O Futuro

"Olá, como vai?

Eu vou indo; e você, tudo bem?

Tudo bem eu vou indo correndo pegar meu lugar no futuro, e você?

Tudo bem eu vou indo em busca de um sono tranqüilo... quem sabe?

Quanto tempo, pois é, quanto tempo... "
Paulo César Batista de Faria- "Paulinho da Viola"



Olho então o céu que me cobre e o chão desgastado que me sustenta. Olho a frente, e a frente continuo, não por opção, mas por princípio. Não é o céu que se perde no seu infinito, nem o chão que estabelece limites. Com o tempo brindo este tempo vivido.




15022007 - Contemplação







Pessoas...

Algumas trabalham
Algumas estudam
Algumas têm filhos
Algumas se ocupam de qualquer forma
Algumas buscam fazer parte de um grupo distinto
Algumas são parte de um grande coletivo
Algumas vivem a festejar
Algumas vivem a se preocupar
Algumas tentam fazer tudo
Algumas simplesmente não fazem nada
Algumas pensam ser únicas
Algumas pensam ser iguais a todos
Algumas, algumas, algumas...
A única coisa que sei fazer
não é nada disso
nem tudo isso
mas contemplar o que os outros fazem.

15022007 - Madrugada


Absorva. Respire. Transforme. Experimente.
Para a Arte não se dá tempo
Nem se impõem limites
A Arte toca o mundo em seus centros e seus cantos
Foge das arestas
Aquele raio que entrelaça e atravessa o cubo
Primitiva e humana
A percepção humana que faz da natureza, Arte
Aguça a razão e emoção ao simplesmente ser, estar
Fundamental
Sua ausência transforma o homem em animal
Querem tornar da verdade uma mentira
Tornarão o viver em sangria
Escrever, pintar, comunicar - Expressar
Piceladas de filosofia
Crenças e cores subjetivas
Arte, não te deixo
Arte, existo neste grande vazio.

Tenho um sonho. Sonho muito pouco, pois pouco durmo. Busco-o pela madrugada. E sou filho também da cidade. Filho da Arte e Filosofia, nascido em um exato momento; Quando o homem resolveu executar sua primeira impressão, em uma grande gruta, acompanhado da madrugada de céu limpo sem estrelas e sem lua. Nasci e cresci no meio do centro, entre prédios, pessoas e ruas, naquela mesma gruta.

Os poemas, desenhos, artes performáticas
Filhos da madrugada
Formas de expressão de nosso questionamento sobre o que somos
Percepção, mãe da criatividade
As cores, sombras, formadas por luzes coloridas de um mundo monocromático
Todos os sons, como as cores, perde-se de fato o som dos próprios passos
Perde-se a reflexão sobre sua própria imagem
e quem quer paz, que busque seus poemas, desenhos, sua própria arte mágica
encontrando o calor que pede o frio e a luz que pede sombra
a sossegar a mente insana que urge em expressar
os sentimentos que poucos ousam enfrentar.


animus -i m. [princípio espiritual ou racional da vida no homem].

15022007 - Animi

Considere...

"Toda ciência começa como filosofia e termina como arte" - Will Durant

Arte e Filosofia

Buscam respostas, dentro de uma pergunta certeira
Exprimem o que pensam
Exibem o que sentem
As cores impressas
As palavras que expressam
Razão
Emoção
O que é comum ao ser
Pensante, vivo

Arte e Filosofia

Tão unidas
Um espírito somente
Acalmam através de estalos, intervalos e espasmos
Se filosofar é arte
Se a arte é uma filosofia
Una-os e perceba a harmonia
Assim se faz inteiro
Ver à noite, o dia
Descobrir os véus da vida

Arte e Filosofia

05022007 - Algarve

Colhi...

pimentas roxas, alecrim, manjericão, hortelã e erva-doce
a horta farta brilhava com a felicidade do sol
o mamoeiro é o primeiro a absorver seus raios
a pereira que plantamos está firme
e as primeiras folhas são as mais verdes que vejo
é de fato mais um belo dia
leão se coça, se contorce e parece nunca se entediar
marrom cresceu, e as grades que o reguarda, o amedronta
as galinhas, o bambu e o caldo de cana
a grama, as margaridas, os maracujás e as pitangas
assim é em Algarve
ali se respira estórias e infâncias
ali todos voltam a ser crianças
as montanhas e as pipas
aquela leve brisa
mais um fim de semana
Algarve me lembra
do tanto que ainda tenho para lembrar

28012007 - Religião


Falar com Deus

ouvir mantras e rezar o Pai-nosso
respeitar a tradição
evitar radicalismos
ampliar seu conhecimento
ouvir com compaixão
falar com humildade
cuidar do corpo
cuidar da alma
cuidar do próximo
exercitar a mente
aceitar as diferenças
reconhecer a igualdade
ser parte da natureza
mergulhar no mar, no lago, no rio
caminhar pelos diferentes habitats
viver consciente de onde está
admirar o inconsciente ao sonhar.

se rezar não for tudo isso
não me digas que existe, de fato, um paraíso.






26012007 - Luzes

Luzes brilham pelo caminho de quem sabe
o sentimento se renova
o mundo se mostra
e você se conhece
perde-se
acha-se
e são tantas pessoas que poderiam ter sido
são tantas pessoas que poderão ser
belezas
inteligências
esforços
nunca são em vão
neste rito de passagem
atravesso para o lado ensolarado da rua
e amo quem não seja miragem.

26012007 - Breu


"A noite estava tão escura,
tão sem um ponto de luz,
tão noite,
que cheguei a me angustiar,
apesar do amor profundo
que sempre tive à noite...

Foi quando ela me segredou:
quanto mais noite é a noite,
mais bela costuma ser
a aurora
que ela carrega no seio!"

"se quem te procura,
se quem te vem falar
não consegue traduzir
o tumulto que traz consigo...

Mais importante
que escutar as palavras
é adivinhar as angústias,
sondar o mistério,
escutar o silêncio..."

Dom Hélder Câmara


Na contramão dos pensamentos que afligem o homem, está a saída para a Rua Redenção
Os sentimentos de posse, o egoísmo destrutivo que perece junto a carne
Ilude quem imagina que da vida fazem parte
Este é o caminho, e alguns não conseguem seguir
Mesmo com tantos em um mesmo rumo, alguns preferem existir
Existir de forma completa, individual e altruísta, a refletir sobre como exprimir o melhor desta vida,
Buscar soluções dentro de uma mente que funciona, mas não se sabe o porquê.
Leveza
Tudo se complicou ao diferenciar-se o humano e o seu ser
Deram-nos privilégios demais
A alma foi esquecida
E o caminho
hoje incógnito

Filosofia, não vá embora...

22012007 - Orquestra


Quero...

meu bem, que só me faz bem, mesmo que meu bem não queira
o que quero um dia, já me faz bem agora.
vejo mil bens que não hão de fazer bem aos que querem de fato, bem.
bem, o que é e o que há de ser. Assim é, assim se quer, bem.
meu bem, que não fujas. de minhas bobices, de minha loucura.
vejo que tanto de louca, tens de bem. um bem que se perde em momentos,
mas retornam, e te mostram o bem.
e meu bem, não o conheço claramente, como este bem deveria estar livre deste querer.
meu bem, poderia ter certeza, para de fato ser meu maior bem.
um bem que me faça querer o bem. meu benzinho.
um bem que desejo, mesmo que não pareça, meu grande bem
não possuir, mas assim desejar, meu grande e amado bem.
um bem que faça bem. um bem que te faça feliz.
não devo querer tudo, mas devo encontrar um bem que me faça igualmente feliz.
meu bem.
teu bem.
um bem.
sem muito,
também.

um beijo quero,
do meu bem.


19012007 - Surpresa

Um dia...

Deus desceu.
veio em forma de humano, bípede, com tromba de elefante, um chapéu que me lembrava os israelitas judeus, um crucifixo no peito e algo brilhante no meio da testa. Não entendi. Mas o que entender? Nos dias de hoje, não questiono absolutamente nada... E veio Ele, (sim, Ele, pois tinha voz de homem) perguntar-me o que achava sobre os homens. Respondi sinceramente que acho-os todos estúpidos pois gozam de inteligência e ainda assim acham motivos para se preocuparem e guerrearem, como a suprir uma necessidade infame e instintiva. Não creio nestas necessidades, mas ainda assim prefiro acreditar que o homem é altruísta e simplista por natureza. Pois, o tal Deus me disse que estava muito bem em minha resposta. E aí? O que aquela figura fazia na minha frente? Nunca saberei, assim como nunca saberei por que existo, ou porque continuo a existir. E Ele estava lá, agora a me questionar sobre o amor. O que sei sobre o amor, e coisas do tipo. Não sei nada, e foi isso que respondi. Ele riu, e com toda sua onipresença, me ridicularizou de certa forma. Não gostei e justifiquei, pois não entendo, realmente, pessoas que se dizem satisfeitas e felizes com o que vivem a se traírem por momentos momentâneos de, quiçá, felicidade. Assim são as pessoas, e é difícil, no mundo de hoje, confiar em qualquer ser inteligente. Antes o cachorro, instintivo, mas ainda, fiel.
Ele continuou a rir, e disse-me que o amor foi sua maior jogada dentro de todas as regras desse jogo que se chama Vida. Sabia que todos iriam se confundir, associá-lo a profissões, matérias, pessoas e sonhos. Sabia, Ele, que nunca encontrariam o motivo de se sentir tal coisa. E Ele riu de mim, como se risse de 8 bilhões de indíviduos ao mesmo tempo. Pois conseguiu o que queria, confundir todas as mentes, direcioná-las a todos os caminhos, menos ao mais simples, que é amar o próximo como a si mesmo. Mas ele continuava a se escangalhar de rir, e assim fiquei, com cara de tacho. Ele sumiu depois disso, e claro, acordei. Com um bafo terrível e uma dor de cabeça homérica, longa e intensa, sem pausa pra respirar, que me confundia ao tentar me localizar. Me lembrei de tudo. Como se fosse real.
Assim levantei, fiquei um pouco mais na cama, e levantei novamente. Lembrei das pessoas que amo, e que posso não mais amar. Lembrei de todos aqueles que dizem isso, mas podem acabar dizendo aquilo. E fiquei assim, confuso. Mas na dúvida, fiquei tranquilo. Minha mente acompanha o que sinto, e o que sinto é simples. Se não for isso, é aquilo. Não se deixe levar, acredite, e se tiver que mudar, enfim, mude. Não é o que querias, mas enfim, quem há de mudar? Estou muito feliz com o que tenho, e o que sonho? Sonho em seguir, com o que tenho e o que não tenho, a fomentar esta necessidade humana de sonhar.




11012007 - Reação

Pessoas...

esponjas espelhadas
refletem o que vêem
absorvem o que percebem
se perdem no meio de um mar
onde não há horizonte
sábio é saber o quê?
absorver e refletir
sem agredir
reagir, lei da natureza
agredir, lei de homens
no que tantas pessoas crêem?
em suma, no mesmo
no mesmo fim
mas querem adiá-lo
em discordâncias sem um fim
a justificar toda ignorância humana
como sendo um mal comum
e assim sim,
explícita fica
nossa ignorância sem fim.

E por que pensar tanto nisso, assim? Do que serve, o que acalma? O fim? Não há o fim, não há um fim. Ponto. Tudo se desenvolve similarmente, a escrita, os seres, os vegetais, as pedras, as estrelas, e o universo. Achavam que depois do horizonte havia um precipício. Achavam que o que não víamos, não existia. E o que há depois do universo? Outro precipício? Quanta, mas quanta ignorância... A graça da vida é este grande quebra cabeças misturado com esconde-esconde. A graça da vida é viver sabendo que todos participam do mesmo jogo, mas muito poucos sabem disso. E os que acham que sabem, nunca vão ter certeza, pois o jogo é perfeitamente ausente de falhas, e não haverá ganhadores. Simplesmente, a sua vida é seu peão. E sua perfeição se conclui com nosso total desconhecimento, fomentado pela nossa ciência, que ousa estabelecer tempo, empirismo, leis naturais de uma natureza que não se conhece, nem se explica. Nunca será tão fácil assim. Evoluíremos, e assim evoluirá nossas complexidades, não se preocupe, siga adiante e não questione muito. Deus, não questione seus mistérios, sua origem e muito menos sua existência. Deus é só um nome de quatro letras, já seu conceito, não entendo quem se atreve. Simplesmente, sempre, agradeça.




10012007 - Sorriso

A coisa mais sincera sentida, foi ao ver teu sorriso, ao imaginar o meu, espelhado em tuas pupilas que refletem esta ânsia, teu homem, um dia a mais nesta vida. Busco em trabalhada harmonia a graça de iluminado ser, renovadamente, ainda, por este sorriso, mulher-menina.

10012007 - Caminhar

Sempre...
gostei de contemplar o vôo das gaivotas
Em grupo, dançam
Sozinhas, se libertam
O movimento urbano
a disputa entre o verde e cinza
não se complementam
Sempre...
gostei de parar e observar
no movimento de tudo
nem o chão que piso está imovel e intacto
Erosão
Quando acho que estou parado
É porque na verdade estou indo
Junto com a vida
Quando acho que estou me movendo
esqueço desta vida, quando parado
Então,
Enquanto contemplo
Para onde estou indo,
vida?



07012007 - Esquina

Sonhei...

novamente contigo. Depois de tanto tempo acordado, agora parece que estou dormindo. Não me importo mais com a vida e seus mistérios, que nada mais me fascinam. O mistério sou eu, e não tenho mais mistérios, tenho dúvidas, tenho perguntas, tenho mais o que viver. Minha vida não vale muito se me preocupo com os outros, e não vale mais se me preocupo comigo. Trabalho, para ser, amo, para crescer, vivo, para perecer. Querem dar nomes, dádiva, castigo, juízo, purgatório. Será que isso realmente os acalma? Devo estar muito aquém desta realidade sensorial e rala, rasa. O que me atrapalha é a comparação, geradora de dúvidas, tensão, esta cínica competição. Entre sexos, entre raças, equipes, empresas, mercados, artistas. E no meio disso tudo, querem nos dar mais nomes. Deveríamos dormir mais, falar menos, olhar mais, pensar menos. Assim, se sente mais o que é, sem a intromissão ativa da razão comparativa. Nos mantém ocupado exigindo do nosso tempo menos família, mais trabalho, menos lazer, mais dinheiro. Não entendo. Assim é, assim vivo, assim durmo. E graças aos meus bons anjos, sonho, ainda, lembranças do que não vivi, com a pessoa que mais amei. Me deixe nesta realidade, minha luta é essa, querer para poder. Pois a realidade dos homens é a competição, exclusão. Não sou homem, não existo porque penso, mas porque percebo e fingem que me percebem. Estas letras tem o mesmo peso de um planeta, poeira. É a nova busca do homem, a poeira, da alma a poeira. Mas descobri bons remédios, que entretêem as mentes fatigadas. Tome um bom banho, sempre, coma sem pressa, sempre, contemple algo por um bom tempo, sempre.
Pensar, assim como se respira.
Sonho, em sair dessa esquina, Devaneios com Mentiras.

04012007 - Água

Choro...

assim como escrevo
sinto e assim correm as lágrimas e o que penso
Querem dar a isso um nome
Tristeza
Só a quem divide este ponto de vista
Fujo de categorias, mas,
É alegria
Pois se lamento o que não tenho agora
É porque mais do que feliz estava e estarei ainda
Se ainda consigo chorar e escrever
É porque acredito em todo real querer
Assim choro, escrevo, penso e sorrio
Escondido, só, em um canto a dois
Por quem sinto.

16122006 - I moral

Esta alma que não descansa, se cansa. Abrindo demais a porta, não espere que peçam licença. Nem que saiam, para retornar depois, agradecidos. Não esperar nada de volta. Não esperar, pensar sim, mas não esperar. Ocupar-se com outras coisas, contemplar, visualizar o poder de aceitar e ser parte de um movimento desproporcional ao que nem imaginamos. Ocupar-se. Escrevo bobagens por exemplo. Passo a mão em meu cabelo, oleoso, com a vermelhidão de meu sistema nervoso exposta em minha testa que franze com as rugas que tangeiam o tempo. Acostumo meus neurônios e suas sinapses a uma voltagem extra e constante, pensando em meu amor, que não é meu, nunca será. Amor, tão presente, fraqueza que é força quando convém ao próximo. Não podemos querer o próximo, podemos amá-lo, e entendê-lo, para feliz fazê-lo. Mea Culpa. E os estalos continuam, choques e mais choques, permeiam tudo que não vejo, não sei, sinto, acho que sei e vejo. Através de impulsos, nervosos. Impulsos, dedução, do quântico ao celular, do celular aos sistemas. Impulsos que refletem minha vontade em conter a fala, pois falo demais e me complico, sempre. Complexo sou com a sinceridade e sei que há sempre de espantar e putrificar o que momentâneamente chamam de qualidade. Não querem qualidades, nem sinceridades. Querem a tradição, repleta de traição. Não hei de provar de novo da "...maior solidão, a ausência de si". Se temos que sempre achar um culpado, aceito o julgamento e ratifico a sentença. Como sou chato e inconsistente, que seja... Ainda assim, não vemos. Achamos que vemos tudo, e dormimos, aceitando o que não sabemos ao fechar os olhos. Desdenhamos a parte em que vemos com os olhos fechados. Os impulsos não dormem, nós não paramos. O que queremos, conseguimos. Mas o que queremos? Não vulgarize o querer. É uma força, assim como a centrífuga, elétrica, magnética, e tem sua resultante. Ter cuidado com o querer, preocupar-se com o saber de se querer. Não é racional no momento em que se constata, mas assim o achamos e julgamos. Pelo que ouvi de alguns poucos que se consideram satisfeitos de saberem o que querem, até agora, ou se sabia desde o princípio, ou então foi descoberto em um momento extraordinário. Onde então entra a razão nisso? No "desde o princípio"?, creio que não, pois se assim foi, chamaremos de aptidões inatas, quase um dom que surge no inconsciente repleto de referências. No "momento extraordinário"? Esta, mais capciosa e aberta a retórica, ainda creio que também não, pois a razão é algo primordial, exclusivo e "sempre-presente" ao ser humano, logo, assim não seria a responsável por um determinado momento extra-ordinário. talvez depois, mas aí seria tarde demais para considerarmos que o querer foi algo trazido pela razão tão somente. Penso que o querer é algo subjetivo que concilia tudo aquilo inato e racional. Sendo assim, sem razão exclusiva, concluímos que, o que queremos realmente, surgirá de nossas reais vontades e aceitação ao que acreditamos e julgamos ser capazes com o devido tempo. Acreditamos em quê? Cada um sabe de si e sua busca. Alguns não sabem, mas reconhecem a busca. Alguns sabem, mas inventam desculpas. Alguns simplesmente buscam o que acham que sabem, outros preferem nem pensar em si ou na busca, outros acham que o saber de si é a busca. Querer, verbalizar algo que não temos. Já não temos tudo? Devemos manter a porta entre-aberta para fazer-se saber sem se perder com o excesso que consterna.
Busco a precisão na ponta dos meus pensamentos em diários exercícios que um dia apontarão com exatidão aquilo que quero, e consequentemente, conseguirei. Busco equiparar o meu movimento com o do universo, para com ele provar claramente o que penso. Exaustão. Quero dormir.


Alma Imoral/Livros/Encontros/Desencontros/Metafísica do Amor

06122006 - Falta no excesso

Um dia...

recitar poemas com a audácia de um ator frustrado
escrever besteiras que não pedem, mas afagam, o silêncio
sentar para conversar com alguéns que confessarão
a frustração de mais um julgamento, em vão
largar palavras ao vento
sem esperar o retorno são
degustar um cálice de vinho tinto de sangue
não calar, transformar
paixão em amor, pintar em tons rubros
chegar à conclusão
melhor com o tempo passado
cala-te! mundo apressado!
excesso de muito
muito parado...

06122006 - Desalinho

Entre...

Poetas e artistas
Poetas são artistas
Artistas são poetas
Sem desalinhos?
Como?!?
Poetas com artistas
Artistas com poetas
Faltam idéias?
Não, nem faltará amor
Artistas sem poetas
Poetas sem artistas
Uma linha, sem equilibrista
Poetas e artistas
graça, razão e vida


03122006 - Nature Boy

A maior lição...

que um dia possas aprender
simplesmente amar, e ser amado
E pela simplicidade,
realizar o sonho
seguir ao lado
de quem por vez acredite
na maior lição que há:
amar, ser amado.


03122006 - Trilha

Pense...

um jazz de idéias ao acordar
com Art Blakey coordenando a bagunça a se organizar
Miles e Chat discutem em um outro canto as notas e o cantar
Mahler e sua Quinta tocam o lugar que faz a única lágrima derramar
Paganini com tantos caprichos desenha um caminho escondido entre o campo e o mar
O inverno perfeito chega e Vivaldi assim sonha pelos olhos de quem se deixa escutar
Vinícius escreve com bom Tom um amor que faz amar
Gal pega o trem das onze e não pode mais ficar
Pixinguinha, tão carinhoso, não sabe o porquê
Os passos, distorcidos
A mente alinhada por notas bossas
e aquele jazz de idéias nossas
É improviso puro
influenciado pelo clássico que faz história.

24112006 - Amizade

Não sei medir...

Nem sentir a medida certa
Sofro de um mal moderno, que me cerca há tempos
A incerteza
Que vem atabalhoada no meio de tantas coisas que vemos, ouvimos e percebemos
Tanto, tanto, tanto
Hoje então, exercito o pouco, simples, suficiente
Almejando sim, os tantos sonhos que tenho
Paradoxal parece
Mas complementar é

Viva, viva, viva! Certeza, a alegoria mais bela da vida!

17112006 - Aprendiz

Descaso...

bateu-me à porta de maneira ingrata
quis tirar-me a razão sensata
jogar no chão aquele resquício de paz conquistada
e não
não somos iguais aos outros
somos os mesmos
bem diferentes
e minha colocação é ali
onde não consigam ver
até o momento que penso
em casa, sinto a rua
e na rua, a casa
a proteção e liberdade se chocam
e somos diferentes
mas não perderei o meu jeito de ser,
não tentarei concorrer
entender sim
ajustar, claro
mas deixar de ser?
nem com o descaso
meu ponto, claro
sou assim mesmo
sincero aprendiz
que conclui um fato
não seja pelos outros
nem espere o mesmo de volta
o sopro do retorno vem com o tempo
e o descaso,
bafo quente que vem depois do frio...

16112006 - Mundinho

Chegarei...

um dia neste mundinho
trazendo uma bela poesia
que comece com "minha lindinha"
e seja assim, bonitinha
a lembrar coisas boas
a colorir coisas tolas
deixando-nos simples de novo
distraindo nossa vidinha
e ficarei assim, com estes beija-flores que rodeiam minha barriguinha
querendo um dia mais o teu sorrizinho tão lindo
saindo então de mansinho
vendo-te dormir com meus carinhos
acordando com suspirinhos
dormindo mais um pouquinho
deixando o gostinho
de se ter um grande amorzinho...

15112006 - Bom dia

Acordei...

com o teu cheiro em minhas mãos
e teu sorriso nos meus olhos
o teu toque no meu peito, um pouco mais para o lado esquerdo
pulsando em notas agudas
esbarrando em notas graves
Acordei
com este conjunto de idéias
e um sentimento incrível
de que tudo é melhor quando queremos que melhor seja
bobagens
disparidades da realidade
realmente nossa mente conspira
Acordei
inalando uma destreza certeira
a largar toda aquela poeira
abrindo uma clareira
que sempre houve, e agora mais do que nunca, sempre haverá
Acordei
ao som de violinos
pelas cores afogueadas dos crepúsculos
e carinhos de anjos que iluminam
todo este recinto
Acordei
querendo viver
querendo amar
Acordei enfim...




14112006 - Conspiração

Palavras...

conclusão de idéias.
Idéias que fazem minha cabeça
mostram-me o quanto o universo é presente
Feliz mais ainda é
o ser que não sabe o que sente
simplesmente, sente.
saídas de minha cabeça, palavras vão para o papel,
e voltam para a cabeça
me tiram o chapéu
minha mente vaga em conjunto com o espaço
e em conjunto, vaga o espaço comigo
que vague então!
só assim o melhor há de se realizar
dentro dos meus devaneios
e ínfimos receios
o que quero é explícito
tenho tudo o que desejo
um amor, uma vida e uma grande certeza
as palavras que escrevo.

13112006 - Chave

O silêncio...

que toca meus ouvidos ensurdece mundo afora
Hoje sou ouvinte para um dia, quem sabe, falar o que realmente quero dizer
Melhor escrever enquanto isso...
Calem-se todos se há algo real a saber
Pois no tempo do silêncio, a reflexão ilumina os sentidos
Agradecer com silêncio, olhar com silêncio
Tão raros que são considerados armas
No meio dos gritos, ofensas, palavras que não dizem nada
O silêncio e o olhar são as maiores armas
O silêncio preenche a sala com sua ausência
Alma da percepção humana
O olhar despe os mais bravos e toca os mais frágeis com sua intensa sinceridade sana
Um ausente, o outro presente
O silêncio levou o que tanto escutava
O olhar invadiu minha privacidade, minha timidez sensata
Fiquei assim
Pelado e perdido
Disfarçado e escondido
Não estar perdido, é como não estar vivendo. Afirmo em negação para a retórica ser positiva.
Antes me perder no meio do mundo, a perder o mundo dentro de mim.
Perceber é criar.
Perder-se é regra.
Saber onde está, é lei.
Achar-se para enfim perder-se de novo, é uma graça.
Escute e olhe a si mesmo no meio de todos.
Encontrar o caminho e seguir em frente, a chave que busco.

07112006 - Letras

Escrever...

por que? tenho pensado em certas ações.
não comove tanto mais escrever emoções que hão de se perder no meio de tantos olhos e ouvidos
para que?
o ser humano tem tanto o que pensar hoje em dia, tanto o que fazer
tornara-se assim um ser submisso e arrogante
pois tanto tem o que ver, tanto tem o que fazer
e pensar? para que? para viver?
a dádiva virou um castigo
Tantos problemas nesse mundo, se resumem a uma gota a se perder no infinito
assim transformamos, nossa espécie em vírus
e no meio de tanta reflexão
escrever é o que?
é um alívio
um entorpecer
uma concordância de códigos que se decifram subjetivamente
é certo
escrever é a fala silenciosa do pensar
é arma branca, que somente apagada, possa não aparecer
é a última instância
em um mundo que acaba de se perder
é uma rua deserta na qual se anda sozinho
mesmo sem querer
é a grande chance em fazer-se perceber
que no meio disso tudo, somos todos surdos
e escrever é ,mais do que nunca, compreender.




02112006 - Baralho




A vida é assim...

repleta de pessoas, amigos que vêm, vão e são. Tão sucetível à nostalgia que nos mitifica. Tão pesada quando indagada que nos fascina. Uma imagem dentro de outras várias, que não acaba e tanto se parece, e repete, repete... A vida é assim, uma cartada de momentos e emoções. Então, quais as cartas que ficam na sua mão?

Uma delas >

03102006 - Sossego

Menina

senta aqui ao meu lado,
olhemos para os rios
e aquelas nuvens que passam.
o som do silêncio é o que mais diz
e um olhar grita de tão sincero.
põe tua mão junto à minha,
esse calor que chega ao meu peito
aquece o que já está em chamas.
o toque é a melodia
que guia esta volúpia harmônica.
chega teus lábios perfeitos junto aos meus,
não me beije, sonhe.
para um dia podermos lembrar que sonhos acontecem.

02102006 - Amargo

Sou...

um ser desmedido, repleto de receios que por vezes se encharcam de esperança
e questiono o porquê de sentir que o quanto mais oferecemos, menos parece que recebemos.
sinto ao extremo tudo que me faz bem, e como toda moeda tem duas caras,
o revés se mostra.
meu Deus é todos. minha religião é minha, no meio de todos.
tento amar, tento ser bom. mas por que isso perece aos olhos de quem um dia já o agradeceu?
realmente, não sou daqui. sou, mas também não sou. simplesmente sou no lugar errado.
será que sou com as pessoas devidas?
será que sou devido aos outros?
quanta energia gasto nestes momentos...
me contento com tão pouco, mas a ausência de tão pouco me incomoda tanto!
será que um dia fui amado?
será que sou?
por que até para nossas perguntas sem resposta temos que categorizar e enfiar um nome?
f-i-l-o-s-o-f-i-a.
eu estudo o que não sei. observo o que não vêem. vivo o que nunca viveram. sou um indivíduo.
sou algo que não sei. outros devem saber. sou um ignorante astuto.
sou igual aos outros.
mas quero ser mais um amor fincado na mente de quem ama.
quero amar o mundo amando a minha amada.
mudarei o amor amando o mundo. mudarei o mundo amando o amor.
sou um amor que se esconde em sorrisos,
em busca dos suspiros que um amor pode causar.
sou meras palavras.











22092006 - A dança

Vivo bem..
e agradeço, vida.
Passo noites em claro. Não durmo durante o dia.
Erro bastante, ainda, fui egoísta.
Penso demais, por quê fiz tão pouco?
Deixei o tempo se distanciar
Entrei no processo, vida.
Mais vida se tem quando mais vida se faz. Fiz vida.
Plantei uma árvore, senti o cheiro da grama.
Admirei as grandes estruturas construídas
Compreendi um pouco mais sobre os pecados
Perplexo fico com a maldade de humanos racionais. Racionais?
Olho o mar, energia pura, beleza prateada pela mais bela das luas.
Escrevi muito sobre o que pensava
Falei muito quando não devia.
Dancei com minha mulher, minha mais linda
Sonhei sim, como se sonha a vida
Viva, como se deve viver ainda.

21072006 - Alvo

o alvo é meu peito..

que no momento está congestionado devido à quantidade de vírus e pessoas que habitam cidades poluídas e barulhentas.

como percebi, estou em um momento mais discursivo mesmo. menos poético.
cansei um pouco de toda essa responsabilidade, de querer fazer tudo certinho. agradar gregos, agradar troianos. mas, aproveito o teclado só pra desabafar mesmo. cansar de responsabilidades??? essa é boa! nao há opção, então saiba ser humano e adapte-se. mas tentar ser responsável não é fácil. que bom que trabalho, que bom que estudo, que bom que moro em um lugarzinho. podia ser melhor, mas era muito mais fácil ser bem pior.. então? LAMBA OS BEIÇOS.
talvez um dia o brasil melhore quando todos estiverem desempregados e só os politicos tiverem o dinheiro. ou nao(sempre tem o "ou nao"). talvez nos mataríamos mesmo. ou dirigindo, ou fumando, ou se acabando em drogas, ou tentando argumentar com os policiais e traficantes, ou mesmo tentando tirar "eles" do poder.
mas chega de política! coisa chata pacas..
enfim, acho que meu nome podia ser ENFIM. gosto disso. termo legal. "nao da pra fazer nada, mas ENFIM..." "trabalhei muito hoje, estou cansado e perdendo horas do meu sono, mas, ENFIM..." "o dia foi ótimo, bla bla bla, ENFIM..." acho que deveria vir com reticências também.
mas, ENFIM, estou acordado ainda. The Cure toca pra mim, mas infelizmente não cura nada, nem gripe. só é bom de ouvir mesmo.
busco agora minha calma, paz que foge a todo momento. meu grande desafio é ser uma pessoa melhor, mais objetiva e independente a cada momento. minha balança hoje está desregulada, mas enfim, o problema não é o quanto pesa do outro lado, mas sim o quanto você pesa, e o quanto você sustenta.

meu sono é curto. por quê?

durmo enfim.

enfim...

21072006 - Tiro

Há quanto tempo...

não escrevo pra mim mesmo. eu e eu não mais nos entendemos. coisa de signo. muito pra fazer, pouco tempo pra pensar, dá nisso.. coisa de maluco.
mas, enfim. acordo, e vejo aquelas noticias rotineiras. época de eleição, escândalos vêm à tona, a consciência questiona. mas brasileiro mesmo, tem mais o que fazer do que ficar pensando. tem trabalho pra fazer, imposto pra pagar, bolsos de ignorantes gananciosos pra encher. brasileiro mesmo, tem mais o que fazer. não tem tempo nem pra agir, pois se hesitar muito, ah, pode ter certeza que terá outro que não hesite tanto. é, brasileiro mesmo, tem que lamber os beiços se tem o mínimo ou se tem o máximo. porque na terra dos imediatistas, sempre tem alguém pior do que você, e amanhâ, amanhã é outro dia, e pode ser bem diferente do que você pensava. então, como se pré-ocupar se já está tão ocupado?
agradeço sempre. coisa minha. agradecer pra mim, é manter-se alerta, ciente do que acontece. agradeço a todos os presidentes do meu país. agradeço a essas pessoas, sim, essas pessoas, que são parte da vergonha nacional, por pura opção, falta de caráter e um espírito curto que devia ser extraditado do planeta em que vivemos. agradeço a eles, por tocarem minha alma com tanto impacto. o que se passa com eles? como pode ser assim a vida de uma pessoa? tinha que estar frente a frente pra tentar entender no olhar deles. costumo acertar.
este país desanima. é feliz por ignorância. oh, parte poética de nosso povo! realmente, é belo. pois o mundo nos ensina a ser indiferentes quanto aos outros. passo por familias na rua, nao sei o que fazer. sei que alguem tinha que fazer. sei que no be-a-ba de um governo de uma nação, pagamos pela manutencao de nossa terra e nosso povo. mas ainda nao sei o que eu posso fazer, nem quanto a familia, nem quanto ao governo que inexiste. alguem? viva nosso carnaval e futebol, sem eles nao haveria Brasil. haveria um poço.
porém me sinto na caverna.


07072006 - Retrato de um soneto

Já conheço os passos desta estrada
Que estrada leva a nada?
Vou colecionar mais um sorriso
Outro retrato multicolorido
Versos, cartas, minha linda
Isto é tão raro
Meu peito se abre
Escancarado
Te contarei mais um segredo
Escreverei mais besteiras
Esse meu jeito...
São apenas partes de um grande soneto
Que toca enquanto dançamos nossas modestas valsinhas
Que fica enquanto driblamos nossas rotinas
Este grande soneto...
Atemporal,
Que cante a ternura e o amor total.

24062006 - Aniversário

Passado o outono
E seus tons sutis

Chegado o inverno
E seu amarelo senil
Prontos a serem uma vez mais viris

Sutil pintura a primavera aquarela
Tons delicados se dissolvem
No ardor do verão
Volúpia incandescente a luzir

Para uma vez mais o calor arrefecer
E tons desmaiados voltarem a sorrir
A celebrar o aniversário das estações
A me tornar verdadeiramente feliz.

19062006 - Pensamentos IV

O poeta e o palhaço
Andarilhos
Trocam pernas
Provocam a Fisica
Comprovações científicas
Habitam o mesmo espaço
Triste
Gozado
Leve
Pesado
A letra traz o retrato
O riso traz o descaso
O poeta e o palhaço
Tentam ser amigos
O palhaço sentido
O poeta insensato
Um no canto
Outro espalhafato
Escondido
Disfarçado
Cada um dentro de si
Ao ermo
Em mim
Inseparáveis
O pensar
O existir
Espaço
O poeta e o palhaço.

Sobre madeira-de-lei
E porcelanas européias
Me sirva farto
A testa na janela
Me lembra o descaso
Sirva esta água pura
Dos alpes distantes e amenos
E traga a refeição
Espero por ela
"-Não como LULA! Parvo ser!
Espírito curto!"
Através da janela
Espalhados ao meio-fio
Os tiros me tiram do caminho
E a arma que sobra
É o livro que falta
É promessa que sobra
É esperança que falta
São afazeres que sobram
São atitudes que faltam
"-Traga meu prato e derrame meu vinho!
Não como LULA!
Não as traga pra cá
Pois não as hei de levar a nenhum lugar
Traga o que há de trazer logo
Finda minha gula
Faça fenecer este desejo de entender
Depois traga os livros
As esperanças e atitudes
Mate a gula!
Enforque as usuras!
Apedreja a falta de vergonha e quebra
Estas madeiras-sem-lei
Com honra de porcelana
E impura paixão
Personagens abjectos!
Sim, no pior sentido, vil, desprezível
Traga-os logo
Mortos e de cabeça pra baixo e lembre-se
-Não como LULA! Nem nada parecido!"






17062006 - 7 canções, una bellezza

Perfeito amor - Elton de Medeiros
Sim chegou
O esperado amor
O mais perfeito amor
Que eu desejei
Veio dar
O que esperava ter
Não mais a solidão há de rasgar
O peito meu
Me perdi
Em descaminhos
Desencontros
Tantos foram
Tanta dor em vão
Só desilusão
Ninguém penou mais do que eu
De tanto olhar o céu
Gastei meus olhos
Perdão pelos erros que tive
Eu muito implorei
Vou abrir janelas
Vou gritar bem alto
O amor chegou
E agora o mundo é meu.

Mulher, vou dizer quanto eu te amo - Chico Buarque
Mulher, vou dizer quanto eu te amo

Cantando a flor
Que nós plantamos
Que veio a tempo
Nesse tempo que carece
Dum carinho, duma prece
Dum sorriso, dum encanto
Mulher, imagina o nosso espanto
Ao ver a flor
Que cresceu tanto
Pois no silêncio mentiroso
Tão zeloso dos enganos
Há de ser pura
Como o grito mais profano
Como a graça do perdão
E que ela faça vir o dia
Dia a dia mais feliz
E seja da alegria
Sempre uma aprendiz
Eu te repito
Este meu canto de louvor
Ao fruto mais benditoDesse nosso amor

Fita os meus olhos - Cartola
Fita os meus olhos

Vê como eles falam
Vê como reparam o seu proceder
Não é preciso dizer, deve compreender
Até mesmo notar, só no meu olhar
Não abuses por eu te confessar
Que nascestes só para eu te amar
Gosto tanto tanto de você
Que os meus olhos falam o que não vê
Ainda há de chegar o dia
Que eu hei de ter tanta alegria
Quando você souber compreender
Num olhar o que eu quero dizer

Para viver um grande amor - Vinícius
Para viver um grande amor, preciso

É muita concentração e muito siso
Muita seriedade e pouco riso
Para viver um grande amor
Para viver um grande amor, mister
É ser um homem de uma só mulher
Pois ser de muitas - poxa! - é pra quem quer
Nem tem nenhum valor
Para viver um grande amor, primeiro
É preciso sagrar-se cavalheiro
E ser de sua dama por inteiro
Seja lá como for
Há de fazer do corpo uma morada
Onde clausure-se a mulher amada
E postar-se de fora com uma espada
Para viver um grande amor
Para viver um grande amor, é muito

Muito importante viver sempre junto
E até ser, se possível, um só defunto
Pra não morrer de dor
É preciso um cuidado permanente
Não só com o corpo, mas também com a mente
Pois qualquer "baixo" seu a amada sente
E esfria um pouco o amor
Há de ser bem cortês sem cortesia
Doce e conciliador sem covardia
Saber ganhar dinheiro com poesia
Não ser um ganhador
Mas tudo isso não adianta nada
Se nesta selva escura e desvairada
Não se souber achar a grande amada
Para viver um grande amor!

Para viver um grande amor, direito
Não basta apenas ser um bom sujeito
É preciso também ter muito peito

Peito de remador
É sempre necessário ter em vista

Um crédito de rosas no florista
Muito mais, muito mais que na modista
Para viver um grande amor
Conta ponto saber fazer coisinhas
Ovos mexidos, camarões, sopinhas
Molhos, filés com fritas, comidinhas
Para depois do amor
E o que há de melhor que ir pra cozinha
E preparar com amor uma galinha
Com uma rica e gostosa farofinha
Para o seu grande amor?

Para viver um grande amor,
é muito
Muito importante viver sempre junto
E até ser, se possível, um só defunto
Pra não morrer de dor
É preciso um cuidado permanente
Não só com o corpo, mas também com a mente
Pois qualquer "baixo" seu a amada sente
E esfria um pouco o amor
Há de ser bem cortês sem cortesia
Doce e conciliador sem covardia
Saber ganhar dinheiro com poesia
Não ser um ganhador
Mas tudo isso não adianta nada
Se nesta selva escura e desvairada
Não se souber achar a grande amada
Para viver um grande amor!

Soneto do amor total - Vinícius
Amo-te tanto, meu amor... não cante O humano coração com mais verdade... Amo-te como amigo e como amante Numa sempre diversa realidade Amo-te afim, de um calmo amor prestante, E te amo além, presente na saudade. Amo-te, enfim, com grande liberdade Dentro da eternidade e a cada instante. Amo-te como um bicho, simplesmente, De um amor sem mistério e sem virtude Com um desejo maciço e permanente. E de te amar assim muito amiúde, É que um dia em teu corpo de repente

Hei de morrer de amar mais do que pude.

Carinhoso - Pixinguinha
Meu coração não sei porque bate feliz quando te vê e os meus olhos ficam sorrindo e pelas ruas vão te seguindo mas mesmo assim foges de mim Ah, se tu soubesseso como eu sou tão carinhoso Muito muito que te quero e como é sincero meu amor eu sei que tu não fugirias mais de mim Vem sentir o calor dos lábios meus a procura dos teus vem matar essa paixão que me devora o coração

e só assim então
eu serei feliz, bem feliz.


Ternura - Vinícius
Eu te peço perdão por te amar de repente
Embora o meu amor seja uma velha canção nos teus ouvidos
Das horas que passei à sombra dos teus gestos
Bebendo em tua boca o perfume dos sorrisos
Das noites que vivi acalentado
Pela graça indizível dos teus passos eternamente fugindo
Trago a doçura dos que aceitam melancolicamente.
E posso te dizer que o grande afeto que te deixo
Não traz o exaspero das lágrimas nem a fascinação das promessas
Nem as misteriosas palavras dos véus da alma...
É um sossego, uma unção, um transbordamento de carícias
E só te pede que te repouses quieta, muito quieta
E deixes que as mãos cálidas da noite encontrem sem fatalidade o olhar extático da aurora.

15062006 - Carta a Goldmund

Meu caro, sinto tua falta. Deste-me uma nova mãe, a qual amo e temo ao mesmo tempo. Não tenho ainda a admiração e visualização devidas, mas a sinto presente constantemente. Seja no meio das cores que se fundem em uma só no céu e mar, seja no meu peito mesmo ao ranger do estremecimento de meu coração ao vivenciar os prazeres e as fortes dores de tanto amar.
Pudera eu ter te conhecido querido Goldmund. Mostrar a ti minha ingenuidade e falta de coragem neste severo e moderno mundo nas minhas curtas e insignificantes caminhadas. Teríamos assuntos e teríamos silêncio. Absorveria-os de forma equivalente. Quisera eu ouvir de tua boca mais de suas estórias e aprender um pouco mais deste vasto mundo. Entender o mínimo da angústia e satisfação de conhecer melhor os outros do que a si mesmo. Onde estaria Narciso? Simplesmente somos e pensamos. Esta vida tem me cansado...
Mas não, as páginas voaram e com elas, você se foi. A mais um passeio por novas trilhas e aventuras só por você conhecidas. Enfim, marco aqui minha despedida. Não te tenho como exemplo, pois sou fraco frente ao mundo ao lembrar de você. Mas vejo mais cores nestas terras ao mesmo tempo que o cinza nunca me foi tão presente. Apuro meu faro frente às pessoas e sei que um dia hei de cansar de tê-lo. Ouvirei mais do que penso, e refletirei mais do que devo, talvez meu maior erro. Tatearei o impalpável, corações uma vez machucados, peles mortas que não reagem aos fatos, rostos ruborizados que não entendem o perdão, seres que não aceitam o viver.
Viverei meu amigo, aos olhos de nossa divina mãe contigo ao lado meu caro. Saudades.

13062006 - Passagem

Saudades
Vontade de ver
Ânsia de ter
Agora não mais
Pois vejo e tenho
Inquieto-me com o futuro
Mas me acalmo ao saber que mais um dia ao lado estou
E arquiteto assim
Esta parede pedra por pedra
Para um dia ter um aposento
Onde possa me deleitar
Onde os sons possam ecoar
Onde possas enfim entrar
Criar novas coisas
Executar novos sonhos
Planejar novos planos
Ser vítima do constante amar e querer
Inseridos em um definido pronome
Você.
Tens a leveza e a linha que te levas acima
A beleza e supremacia, acima.
É minha pipa
És linda
É dia ou noite
Que arranhas meu céu
Arrebata meu peito
De vista não a perco
E para estar perto
Acompanho-te minha querida pipa
Nem céu é limite
E feliz fico
Pois me jogas nas nuvens
E ainda sim quero ir além
Sempre acima
Tu és minha pipa
Que castigo!
Antes nunca ter tido
Que ter perdido...
É assim
Castigo
Recolho-me então
Aguardo passar
Esta sofreguidão
Que volte o dia
Do mesmo modo que veio a penumbra
De pronto
Num instante
Continuo assim
Sem mentiras
Assumindo ser humano
Omitindo os prantos
Perdendo e buscando
É. Desculpas não significam muito. É uma necessidade por vezes inócua, ingrata. Desculpar-se é assumir o erro, e ao assumir o erro... ah!, é como atirar uma montanha sobre tudo aquilo que um dia foi acêrto. Não é? Não podemos errar...
Desculpar-se é afirmar o erro. Até exagerar. Ser um ser da natureza, vais errar. Nada mais justifica um bom aluno da vida, errar, aprender e acertar.
Desculpar-se é deixar cair a espada no jogo da esgrima. Afundar os estratagemas da dialética, não se ter o mínimo de razão.
Desculpar-se é afirmar o erro. E isso não fecha portas, as abre. Torna-as apenas mais um local passado, que não se há de voltar. É abrir novos caminhos, fatalmente mais tranquilos.
Desculpar~se é se expôr às pessoas que não dão ouvidos. Muitas vezes é falar sozinho...
Neste mundo, desculpas hoje em dia é mais um castigo. "Arre!" Pois bem, não sou deste mundo. Eis que sou um errante perdido no meio do caminho inventado para um utópico perdão renovador.

06062006 - _ _ _ _ ela.

É ela, sim ela
Que move montanhas
Minha janela
Explosão de estímulos
Meu bem querer
Mais vontade
Mais gana
É ela, sim ela
Torne-me um completo homem
Por ter sua grande mulher
Ilumine minhas idéias com o alvorecer de seus sorrisos
E seus cantos, gargalhadas
Pois lhe tasco um beijo estalado e caloroso
Que ecoa por toda esta rua
Esta longa rua que leva a onde não sei
Mas quero chegar
É ela, sim ela
Por ora, em sonhos, em vida
Por mais um dia
Por mais um dia...





31052006 - Pensamentos III

Desperta aurora, és bela, seus primeiros crepúsculos. Tão breve momentos. Intensos. Disrítmicos, bonitos.
E enste infinito começar, não canso. Não descanso. Não posso. Já vem a manhã e mais um dia já está pra começar. O sol e sua energia. O céu e seu azul de melancolia e alegria. Assim, é longo o dia. Assim é, de fato, o dia. Assim é a noite, arisca. Transitória, como o dia. Nela durmo. Feliz com o que foi, nosso dia um dia.

Não interessa as intervenções naturais ou divinas. Durmo na noite. Acordo no dia. Não pertence ao querer o viver. Nos pertence nossa vida. Cabe desconhecer e estabelecer as tardes nos meus dias. Não conheço o tempo que tenho, sei que o tenho. Não me resguardarei às hipóteses milhares que hão de inventar.

Bata-me!
Mostre do que a vida é capaz.
Hei de conhecer tudo que a faz.
Acorda-me!
Mesmo que não queira
Sonhos acabam e recomeçam
A melhor parte desta incógnita realidade
É a incerteza de voltar a sonhar
Dê-me este prazer de derramar lágrimas
Ao lembrar de tantos sorrisos
Mesmo que um dia, nunca tenham existido.

Volto ao começo
Quero calma, muita calma...
O tempo é rijo
Nele me perco
Nem o entendo
A vida tem me cansado
Absorvi-a de tal maneira
Caí no erro de tentar entendê-la
E perdeu-se a graça
No momento minha vida vale muito
e nada.

28052006 - Maio

Waking Life . O Processo Criativo - Parque Lage . Meus amigos, obrigado . Teresópolis . John-John . Linda . Narciso e Goldmund . Pereira . 25 . Parabéns . Vida - Ame o próximo como amas a ti mesmo . Ame .
Amén .

26052006 - Pensamentos II


Centrado,
tu me dizes que sou centrado. Não sou. Porém, contigo, imagino que isso se faz crer. Pois sim, sou centrado, em você. E deixo-te sim, a Ternura de Vinícius e minhas confissões infantis, ora precipitadas, talvez demasiadas, mas mais infantis ainda, porque são deveras puras, assim como toda criança diante suas grandes descobertas.
E tu, aurora de meus dias, ainda me chamas de poeta? Não sou poeta. Talvez um dia; serei para você. Pois o receio de novamente começar, um dia ter que esquecer, ou enfim, deixar passar, me faz te escrever mais, como se o fim pudesse atrasar. Nada adianta com o futuro se ocupar se não fazemos do nosso presente algo que nos faça imaginar, além, sonhar... Bom é delirar, suspiros de sonhos que não nos deixam separar. Bom é sentir o receio de que isso tudo pode ser apenas um breve momento, que se estende a onde não sabemos.
Bom é agradecer pelo que nos acontece e pelo que temos.
Minha Prece

Agradeço Senhor por toda minha vida
Por fazer parte da minoria
Que tem teto, cama, comida e família.
Que lê, escreve, tem tudo o que realmente precisa
Por saber que são poucos que prezam a sabedoria
Agradeço Senhor pelos momentos de alegria,
Tristeza, desespero e agonia.
Neles, verdadeira lição de vida
Agradeço senhor por todas as oportunidades
Chances e felicidade
Agradeço Senhor, eu só agradeço,
Não peço
Agradeço pelo meu cérebro repleto de pensamentos, livre arbitrio, amor sincero.
E o desejo de ser um melhor homem a cada segundo
No longo caminho da vida que espero
"Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,
Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou."
Fernando Pessoa.
Bom também, é desconhecer. Imagina saber que um dia nada acaba por esmaecer? Imaginar que o que somos simplesmente reflete o que queremos, pensamos. Mas calma..., pois bom mesmo seria, se tudo fosse um pouco mais simples, como o costume da noite e do dia. Sim, temos a noite, e temos o dia, entre tantos tons..., azul, rosa, vermelho, laranja, amarelo, cinza. Possibilidades. Cada qual com sua beleza, mas nunca tirando a efemeridade e constância do tempo. É o que me mostra o céu e suas nuvens. O céu sempre lá, tão óbvio e aparente, em movimento. O que sinto; constante, multicolor e bruto. De tão bruto, não questiono. Vivo.
O que sinto e o que vejo. Coisas tão óbvias e bobas.

27051981 - 11052000 - Fotos


... Há 6 anos, criei uma vida. Há 25, passei a ser uma. ...

2352006 - Pensamentos I

Demora

No meio de tantas coisas que atentam
Filosofia é resposta, e demora.
Verdade se esconde no tempo
No meio de tantas coisas que atentam
A realidade não mais toca
Estar em xeque
E não querer o fim da filosofia
É estar parado
No mesmo lugar
E tão logo, antes de muito, não há tantas respostas
Para tantas dúvidas e tantos anseios
Há muita paciência
Há de ser elástico
Como no universo
Andar em paralelos
Pronto está a voltar a ser o que era.
A chegar a conclusões de que tudo é mais simples do que seria
E que palavras não satisfazem nossa real curiosidade
Amortizam
No meio de tantas coisas que atentam.


Dorme

Anuviado
Embaralhado
Ainda assim,
Tenho-te agora a meu lado
E com o bater das asas da borboleta gris
Explode em meu peito numerosos anseios
Duvidas! Que não me deixem...
É isso real ou medo?
Se não me acho, e não me entendo
Se de fato estou vivendo
Se existo, ou se adormeço.
Ainda assim,
Tenho-te agora a meu lado
Sonho que construo dia pós dia
Almejo que se repita
Mitigando os desconhecimentos dessa vida
Florescendo os instintos e raciocínios necessários para não se perder nas mais diversas realidades
Purificando o que já achava que sabia
Não querer mais acordar.
Tenho-te agora a meu lado.
Durmo, durmo...


Fidelitate

Em meu reino de simplicidade
É lídimo, meu ouro,
Tua presença renovadora
E este desmedido sentimento
Não me atrevo a descrevê-lo
Em meu reino de simplicidade
Não sou ninguém
Pois meu reino não existe
A não ser que por lá estejas
Para enfim eu poder, inteirar o ar que respiras a meus suspiros e delírios.
Em meu reino de simplicidade
Não és rainha
És vida
Que matiza todos os tons
Destes castelos, vastos campos, céus e lagos.
Tons celestes.
Neste reino de simplicidade
Nada é meu,
Além destes tolos versos
Que existem para lhe contar
Com toda candidez,
Este singelo e leal reino
É teu.

Desvios

Necessito deste precipício
Paixão intensa que me tire o juízo
Sem isso,
Perdido.
Devaneios, lembrar de tantas pequenas coisas
A paixão é minha morfina
- Vida!?
Não te desanimes
De tempos em tempos se sentirá triste,
Como agora
Não ter certeza de nada
Do que somos e seremos
Minha paixão, te desejo
Abrace-me e não me deixes
No meio desta multidão que não lembra de viver.